Os últimos dos 11 dias que passamos no México foram dedicados ao segundo maior sítio arqueológico maia do mundo e à cidade que inaugurou o turismo na Riviera Maia: Chichén Itzá e Cancún. Vamos a elas!

Chichén Itzá

Há duas formas de se chegar em Chichén Itzá vindo da Riviera Maia: uma partindo de Tulum e outra de Cancún. O trajeto Tulum-Chichén Itzá é um pouco mais curto (uns 40 km a menos). Como os três pontos estavam no nosso roteiro, para otimizarmos o tempo, saímos de Tulum para Chichén Itzá e, no dia seguinte, fomos para Cancún.

Poderíamos dizer que a estrada que liga Tulum à Chichén Itzá é bem brasileira: estreita, movimentada e com alguns buracos. O trecho privatizado, que te obriga a pagar o pedágio, é perto de Chichén Itzá. Ainda assim, depois dele, passa-se dentro de algumas cidadezinhas da região.

Prepare-se para alguns pedágios caros, especialmente no trecho Chichén Itzá-Cancún. Em um deles, pagamos uns 270 pesos, que dava, na cotação da época, quase R$ 50,00 💸!

A viagem toda vai consumir quase três horas desde que, obviamente, você não faça como nós, que resolvemos visitar o cenote Ik Kil antes de chegar no hotel do complexo arqueológico.

Cenote Ik Kil

Cobra para entrar? Sim, 80 pesos (R$ 13,50), com estacionamento incluso. Para usar o guarda-volumes, mais 30 pesos (R$ 5,00)

Por ser muito perto de Chichén Itzá, o Ik Kil transformou-se num ponto de atração de turistas. O local tem ótima infra-estrutura, com restaurante e bar. O problema é que essa proximidade acaba deixando o Ik Kil muito movimentado. Na verdade, é movimentado até demais. É muita, mas muita gente nadando ao mesmo tempo. Se você é daqueles que gosta de nadar, vai achar esse cenote sem graça.

Ik Kil representa bem um cenote: uma depressão cheia d’água. Ele é um cenote cilíndrico, que desce uns 15 metros da abertura até a superfície da água. Para chegar lá, tem que descer alguns lances de escada, com mirantes estrategicamente posicionados para ótimas fotos. Por não permitir mergulho de cilindro, não há mergulhadores iluminando a parte submersa. Muito provavelmente a proibição aos mergulhadores deve-se à profundidade desse cenote (não sei quanto, mas é muito fundo).  

O sítio maia de Chichén Itzá

Cobra para entrar? Sim, cobra até para chegar. O pedágio do trecho Tulum-Chichén Itzá foi uns 60 pesos (R$ 10,00) e o do trecho Chichén Itzá-Cancun, mais 270 pesos (R$ 46,00). A entrada, por pessoa, custa aproximadamente 200 pesos (R$ 34,00). Não usamos o estacionamento – deixamos o carro no hotel – mas sei que é pago à parte.

Nas viagens que empreendemos, parece que virou costume encarar feras da natureza. Se em Fernando de Noronha me deparei com um tubarão, o animal perigoso que encontramos na nossa hospedagem em Chichén Itzá foi um escorpião.

Vou ficar devendo mais essa história, mas serve de alerta para quem ficar no Hotel Mayaland. No nosso caso, o escorpião apareceu na banheira – ao que tudo indica, veio pelo ralo.

Desventuras peçonhentas à parte, vamos ao que interessa: o segundo maior sítio maia do mundo.

Para alguns pode parecer besteira “desperdiçar”, numa viagem ao Caribe, tempo com História. Ainda mais se considerarmos as viagens de pelo menos três horas, seja de Tulum ou Cancún, para chegar a Chichén Itzá. Eu, pelo contrário, fazia questão de visitar o local. Além de adorar História, não saberia quando teria oportunidade de conhecer uma das sete maravilhas do mundo moderno, a pirâmide de Kukulcan.

Chichén Itzá compensou (e superou) a minha expectativa em cada segundo que passei lá. O lugar é impressionante, tanto pela área ocupada quanto pela imponência e complexidade de suas construções.

A cidade viveu períodos de glória e declínio até por volta do século IX, quando começa a fase do apogeu. Nessa época, Chichén Itzá foi dominada por tribos maias eminentemente militares que, aproveitando-se da sua ótima localização  – era conexão de várias rotas comerciais -, começaram a tributar os mercadores que por ali passavam. O recurso acabava sendo reinvestido em estrutura militar, permitindo que a cidade tivesse uma defesa forte. Não caindo para os inimigos, Chichen Itza pode prosperar, transformando-se, entre os séculos IX e XII, numa das principais cidades maias.

Boa parte das construções está em bom estado de conservação. Os prédios que sobreviveram eram os maiores da cidade: em geral, prédios públicos ou santuários.

Em Chichén Itzá é fácil perceber como o conhecimento de arquitetura pelos maias era vasto. Com tecnologias rudimentares de construção, os maias levantaram prédios magnânimos. A pirâmide de Kukulcan, uma das sétimas maravilhas do mundo moderno, tem como corrimão de suas principais escadas, corpos de serpentes, com a cabeça bem no início da escada. Nos meses de março e setembro, ao entardecer, os próprios platôs da pirâmide formam uma sombra que acompanha o corpo da serpente como se fossem escamas. Esse fenômeno, que acontece algumas horas antes do pôr do sol e dura aproximadamente 10 minutos coincide com o exato início do outono e da primavera. Os maias eram excelentes em marcar o tempo, principalmente pela observação dos astros – tanto que um dos principais prédios de Chichén Itzá é um observatório.

Teorias dizem que os triângulos de sombra que formam o corpo da serpente são inspirados nas escamas triangulares das cascavéis, bem comuns na região. Os maias adoravam deuses representados por alguns animais da região, especialmente as serpentes e os jaguares (nossas onças-pintadas).

Na minha humilde opinião, a riqueza do sítio de Chichén Itzá compara-se a outros sítios arqueológicos mundialmente conhecidos, como o Foro Romano, por exemplo. Chichén Itzá é quase tão extensa, com prédios quase tão ricos quanto. E só pelo banho de cultura maia o passeio já valeria. Em suma, Chichén Itzá merece muito ser visitada!

Cancún

Lembrar que Cancún foi a pioneira no desenvolvimento turístico da península de Yucatán chega a ser engraçado. Na minha opinião, as outras opções de destino na Riviera Maia – Tulum e Playa del Carmen – são muito mais interessantes que Cancún; tanto que decidimos passar apenas duas noites lá.

Cancún é uma cidade grande (mais de 600 mil habitantes), construída eminentemente para o turismo – focando especialmente nos norte-americanos – e que começou a ser explorada há quase 50 anos. A principal área turística é a zona hoteleira, onde concentram-se quase todos os resorts, shoppings, bares, baladas e restaurantes. Na nossa última noite resolvemos nos aventurar a conhecer o “centro” de Cancún. Não há quase nada: um pequeno mercado popular que já estava fechado, muitos prédios residenciais humildes e vários estabelecimentos comerciais.

Zona hoteleira de Cancún

Vista da varanda do quarto do resort, na zona hoteleira de Cancún

A zona hoteleira é meio espalhada, o que acaba exigindo ônibus ou carro com frequência. Quase nada é feito a pé por aqui. Quem opta por Cancún, em geral, acaba passando boa parte do tempo nas áreas lazer do hotel ou na parte da praia que lhe é dedicada. Outros atrativos da cidade são as casas noturnas e seus excelentes restaurantes – tanto que minha maior contribuição sobre Cancún ficou para o post “Na Riviera Maia não tem ângulo ruim – onde comer”, que vai ao ar na semana que vem!

Como ficamos pouco tempo na cidade – já que tivemos que enfrentar umas 3h30min. de estrada saindo de Chichén Itzá – preferimos usar nosso dia livre para conhecer Isla Mujeres, uma ilhota que fica bem em frente a Cancun.

Isla Mujeres, a melhor praia “de Cancún”

Cobra para chegar? Sim, uns 200 pesos (R$ 35,00) por pessoa por trecho.

A forma mais comum – e com mais opções – para chegar de Isla Mujeres saindo de Cancún é de ferry boat da nossa já conhecida Ultramar, que também faz o trajeto Playa del Carmen-Cozumel. Há alguns pontos de embarque nas praias da cidade. Na época que fomos o que tinha o maior número de opções de horário e que estava mais próximo para a gente era o da Praia da Tartaruga.

Praia da Tartaruga, em Cancún

Deck de saída para Isla Mujeres na praia da Tartaruga, em Cancún

Em Isla Mujeres a praia mais movimentada é Playa Norte. Trata-se de uma longa praia de água bem calma e clara, com uma faixa de areia nem tão larga e completamente dominada pelos bares. Para ocupar os quiosques e espreguiçadeiras não paga-se nada, desde que consuma. Por não ter arrebentação e boa infra-estrutura, ela é muito recomendada para crianças de todas as idades. Além disso, a praia é um pouco cheia, o que acaba favorecendo a azaração.

Isla Mujeres, Cancún

Playa Norte em Isla Mujeres

Isla Mujeres foi a última praia que visitamos na Riviera Maia. No resto do tempo (basicamente duas noites e um dia) que passamos em Cancún, curtimos a praia do resort e aproveitamos para explorar os restaurantes da cidade! Na semana que vem, publicaremos as dicas dos restaurantes que visitamos ao longo de toda nossa viagem na Riviera Maia!

Quer saber o que já escrevemos sobre a Riviera Maia? Então acesse os outros posts: