Turismo/experiência “pé no chão” com praias paradisíacas e outras belezas incríveis tem lugar na Riviera Maia: Tulum.

Poderia descrever Tulum como uma versão reduzida de Playa Del Carmen. Não estaria errado, mas longe de estar certo também. Tulum é menor, mais simples e rústica que Playa Del Carmen. Mas não sua versão em miniatura. Tulum é diferente.

A começar pelo fato de que, diferente de Playa, o que define Tulum é o rústico. A cidade em si é bem pequena e pobre. Os hotéis, em geral, se concentram já na parte sul da área do município, acompanhando uma estrada estreita por vários quilômetros. A bem da verdade, quando se vai a Tulum, o objetivo é meio que desligar de tudo.

Há ótimos restaurantes na cidade, devidamente descritos no post sobre alimentação. Contudo, as principais atrações são as belezas, naturais e construídas pelo homem: os cenotes Dos Ojos e Grand Cenote, a playa Paraiso e as ruínas maias do Parque Nacional de Tulum.

Playa Paraiso

Cobra para entrar? Não, mas os clubes de praia vão cobrar o aluguel da espreguiçadeira, caso queira usar. Alguns revertem em consumo. Vale pechinchar

A praia Paraíso não é muito extensa. Sua larga faixa de areia clara permitiu a instalação de clubes de praia que servem bebidas e comidas aos banhistas. Mas o que mais chama a atenção em playa Paraiso é a cor da água: foi a mais azul que encontramos na Riviera Maia.

O mar é um pouco agitado, mas nada que atrapalhe o banho. Playa Paraiso costuma ser a praia mais movimentada de Tulum, o que a transforma num ótimo espaço para quem procura badalação.

No dia que visitamos a praia Paraíso demos sorte de ver um arco-íris que deixou a paisagem ainda mais deslumbrante.

Playa Paraiso, em Tulum

Arco-íris na playa Paraiso, em Tulum

Parque Nacional de Tulum

Cobra para entrar? Sim, uns 70 pesos (R$ 12,00). Se for de carro, o estacionamento fica a uns 10 min. de caminhada e custa uns 80 pesos (R$ 13,50)

O Parque Nacional de Tulum compreende uma grande reserva de mata tropical, com diversas espécies de plantas e animais. Contudo, não são a fauna e a flora os principais atrativos do local.

No Parque Nacional está um dos sítios maias mais visitados do país. OK, o sítio é muito visitado por estar cercado de praias literalmente paradisíacas, já que há um acesso das ruínas à playa Paraíso. Mas ainda assim vale a visita.

O Parque em si é bastante grande: são mais de 600 hectares de área. Como faz divisa com a praia, vários ecossistemas convivem ali: mata, mangue e praia. Não fizemos o ecotour, preferimos nos concentrar no sítio maia.

O povoado que viveu em Tulum “murou” toda a cidade. Os poucos acessos à Tulum maia eram por pequenas portas na parede do entorno ou pelo oceano. Como o mar ali é um pouco agitado, não era fácil para nenhum inimigo desembarcar. O mais interessante e estratégico era que, por meio de uma minúscula “baía”, na própria praia, os locais podiam acessar o mar e atacar o inimigo.

O sítio está em razoável estado de conservação. Ainda é possível ver várias marcações e gravuras nas fachadas das construções que restaram. Além de conhecer os prédios, a vista para playa Paraiso é um tremendo chamariz para visitar o Parque. Para quem vai estar em Tulum logo cedo e pretende passar o dia inteiro por lá, recomendo juntar o passeio do Parque com o de playa Paraiso. Só aconselho levar bastante água para o sítio: ele não é pequeno, há poucas árvores fazendo sombra e quase nenhum banco para descansar.

Praia sul

Cobra para entrar? Não, mas não é tão fácil achar lugar para estacionar fora os estacionamentos dos hotéis da região. Você não paga estacionamento se consumir no bar/restaurante do hotel.

A praia ao sul da cidade não tem uma água tão calma ou com azul tão vivo quanto a de playa Paraiso. Aqui você vai encontrar uma praia quase infinita com uma faixa de areia bem larga e mar muito agitado. Os quiosques, cadeiras e espreguiçadeiras dos hotéis ali instalados dão um tom mais contemplativo à praia.

Cenote Dos Ojos

Cobra para entrar? Sim, uns 200 pesos (R$ 35,00). Se for usar o guarda-volume, paga mais uns 50 pesos (R$ 8,50). Há snorkel e colete salva-vidas para alugar por uns 50 pesos (R$ 8,50) cada.

Para quem nunca ouviu o termo, um cenote é, basicamente, uma caverna submersa. Falando assim, pode parecer uma coisa meio comum, principalmente se você já visitou alguma das cavernas do circuito das grutas ali por Sete Lagoas, minha amadíssima cidade natal.

Um cenote é, em parte comum, em parte, bem diferente – e belíssimo. Tentando dar uma definição um pouco mais “científica”, um cenote é um “acidente geológico” provocado pela infiltração de água em rochas calcárias que estariam abaixo de uma camada meio fina de solo. Como o calcário absorve água e erode com facilidade, a rocha se dissolvia quimicamente e “engolia” o solo, formando depressões. Com o passar do tempo, a água da chuva enchia aquele buraco e, tcharãn: forma-se uma piscina dentro da caverna.

Em geral a flora e fauna que habita um cenote é pobre. A água é bem fria e muito limpa, o que acaba transformando o cenote num local muito convidativo para banho em dias de calor.

Um fenômeno interessante acontece quando você está nadando num cenote. Ao longo do tempo você começa a perceber detalhes nas formações rochosas da caverna, o que vai tornando a experiência ainda mais única. Só que há um detalhe que ainda não contei: as grutas podem ser bem profundas. Isso atrai mergulhadores de cilindro, que visitam os cenotes para explorar as galerias. E quando eles ligam suas lanternas lá embaixo, é possível enxergar incríveis e belíssimos espaços submersos. O que torna a visita a um cenote um passeio mais que obrigatório para quem está na Riviera Maia.

Quem vai fazer turismo em mais de uma cidade na região pode planejar conhecer Akumal e o cenote Dos Ojos de uma vez – só sugiro acordar bem cedo para aproveitar bastante as duas atrações. O Dos Ojos (“dois olhos”, em espanhol) é um conjunto de dois cenotes, quase gêmeos. São mais ou menos do mesmo tamanho e se comunicam por meio de uma de suas galerias submersas.

A abertura do Dos Ojos não é muito grande, o que acaba reduzindo a entrada de luz natural. Consequentemente, a água é mais fria. Mas na parte mais rasa a areia é bem branca, deixando o visual lindo.

Cenote Dos Ojos, em Tulum

Mergulhador no Cenote Dos Ojos, em Tulum

Grand Cenote

Cobra para entrar? Sim, 150 pesos (R$ 26,00). Se usar o guarda-volumes, mais 30 pesos (R$ 5,00). Há snorkel e colete salva-vidas para alugar por uns 70 pesos (R$ 12,00) cada.

O Grand Cenote fica na entrada da de Tulum, o que favorece caso queira conjugar com outro passeio. Nós, por exemplo, o visitamos antes de pegarmos a estrada rumo a Chichen Itza.

O próprio nome já indica: o Grand Cenote é bem grande, se comparado ao Dos Ojos, por exemplo. São duas entradas, ambas com uma abertura grande, permitindo a entrada de mais luz. Poderia se esperar uma água menos fria? Ledo engano: são muitas e profundas as galerias do Grand Cenote; provavelmente a capacidade dele, em volume d’água, é bem maior que a do Dos Ojos.

Mas o fato de permitir mais luz solar favorece a flora subaquática. No Grand Cenote é possível encontrar algumas espécies de plantas, elemento que não existe no Dos Ojos. Há também tartarugas – que muito provavelmente foram levadas para lá, não são nativas – e uma espécie de peixe bem pequeno. Ah, fora os vários morcegos (mas isso tem em todo cenote).

O Grand Cenote, por ser mais extenso, é melhor para banho. E por ter algumas partes mais rasas, fica mais fácil enxergar as formações rochosas que estão embaixo d’água. De todos que visitamos, foi o cenote que mais gostei.

Saímos de Tulum em direção a Chichen Itza. Passamos a noite no hotel que faz parte do parque arqueológico e no dia seguinte, pela manhã, fomos conhecer o segundo maior sítio maia do México.

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